Totara de Natal :: Christmas Totara

Este ano nossa árvore de Natal é diferente. 

Não me apetecia fazer novamente uma árvore só com ramos e não tinha vontade de comprar um pinheiro ou um abeto. Tudo isso dá ar de Inverno no hemisfério norte, o que aqui simplesmente não faz sentido. 
Então lembrei-me de ir a um viveiro de plantas para espreitar a secção de árvores nativas da Nova Zelândia. Não estava a ser fácil decidir que árvore comprar… até que descobri, num canto, esta totara. Tem ramagens abertas, o que facilita a tarefa de pendurar os enfeites, é alta e as folhas picam tanto como as agulhas dos pinheiros.

E em Janeiro poderá ser plantada lá fora.

This year our Christmas tree is different.

I didn’t feel like repeating the bare branches and I had no wish to buy a pine or a fir. All of the above look like winter in the northern hemisphere and that would make no sense here in New Zealand.

So I thought I’d go to a plant nursery in search of a native tree. I couldn’t make up my mind on which tree to buy… until I spotted this totara. It’s got open branches, which makes the job of hanging ornaments quite easy, it’s tall and the leaves are as sharp as pine needles. 

And in January it can be planted outside.

(photos: © Constança Cabral)

Bom Natal! :: Merry Christmas!

Hoje finalmente fiz a nossa árvore de Natal, com uns troncos que apanhei na praia e estas bolas que a minha mãe tricotou para nós (não estão fantásticas?). Umas luzes em cima da lareira, música a tocar e de repente quase parece Natal.

Queria desejar a todas as pessoas que vão passando por aqui um Natal com muita paz e alegria. Espero que passem estes dias em óptima companhia!


Today I finally set up our Christmas tree with a couple of branches I picked up on the beach and these ornaments my mother hand-knitted for us (aren’t they fantastic?). A string of fairy lights on the mantel, some music playing and suddenly it looks like Christmas is actually here.

I’d like to wish everyone who visits this blog a wonderful Christmas filled with peace and joy. I hope you get to enjoy these days in good company!


(photos© Constança Cabral)

Natal Cor-de-Rosa :: Pink Christmas

Apesar de estarmos a viver uma Primavera esquizofrénica (25ºC num dia, 15Cº no outro… às vezes calor e humidade, outras vezes frio e ventos ciclónicos e, claro, o Rodrigo constipado), decidi que tenho de abraçar este Natal-não-invernoso. Há que deixar a simbologia do hemisfério norte para trás e tentar encontrar novas referências. Este nosso Natal vai ser aquilo que a Páscoa não pode ser: uma festa em cores frescas. Venham daí o cor-de-rosa, o azul-turquesa, o verde-água e o amarelo-limão! 
Numa estrada aqui ao pé reparei nuns arbustos limpa-garrafas, uns cor-de-rosa claro e outros cor-de-rosa shocking. Em Portugal é fácil encontrar limpa-garrafas, mas só os conhecia em encarnado! São arbustos australianos e não neozelandeses, mas vêem-se bastante por cá. Pensei imediatamente que dariam uma coroa de Natal bem gira e, uns dias depois, voltei ao mesmo sítio munida da minha fiel secatória e apanhei alguns ramos.
Estas coroas são fáceis de fazer e têm bastante impacto: basta ir prendendo os ramos a uma armação circular, com a ajuda de um bocado de arame ou cordel, tendo o cuidado de orientá-los sempre na mesma direcção.
As coroas naturais duram bastante tempo em climas frios (as que fiz em Inglaterra duravam semanas a fio). Esta vai secar rapidamente, mas não faz mal porque já tenho uma ideia para a próxima!
Although we’ve been having a rather schizophrenic spring (25ºC one day, 15ºC the next… sometimes it’s hot and humid, other times it’s cold and windy… no wonder Rodrigo got a cold), I’ve decided that I must embrace this non-wintery Christmas. I’ve got to leave the northern hemisphere symbology behind and come up with new references. This Christmas is going to be what our Easter couldn’t be: a festivity in ice-cream colours. I want pink, turquoise, mint green and lemon yellow!

The other day I noticed a few bottlebrush shrubs on a road verge not far from here. The thing that struck me was their colour: light pink and hot pink! I’ve seen lots of bottlebrush shrubs in Portugal but they were always red. They’re native to Australia, not NZ, but you see them a lot around here. When I saw them I immediately thought they’d make a great Christmas wreath so a few days later I went back there with my trusty pair of secateurs and clipped a few branches.

These wreaths are very easy to make and have a great impact: you just attach the branches to a metal circle using a piece of wire or twine, making sure that they’re all pointing in the same direction.

Natural wreaths keep for quite a while in cold climates (the ones I made in England went on for weeks on end). This one will dry out quickly but that’s fine because I already have an idea for the next one!
(photos© Constança Cabral)

Um Natal Português

Tem sido difícil imbuir-me do espírito natalício aqui nos antípodas. A família está longe, praticamente não vejo televisão nem entro em lojas… e não é Inverno. As imagens que vejo na internet de camisolas de lã e enfeites em encarnado e verde causam-me estranheza. Ainda não decorei a casa nem fiz um único presente. Uhm…
Quanto mais globalizados ficam os nossos imaginários e tradições (Pinterest?), mais me apetece procurar aquilo que é português. Claro que alguns dos elementos que caracterizam Portugal agora, ou até mesmo há 100 anos, provavelmente não existiriam há 300… longe de mim querer cristalizar uma determinada ideia de portugalidade. Mas acho que percebem aquilo a que me refiro… afinal, o que é um Natal português?
Numa troca de emails recente com a minha amiga Gracinha, fui presenteada com a versão dela de um Natal português. Gostei tanto do texto que não resisto a partilhá-lo convosco. 
Um Natal português
por Graça Almeida Borges

Um Natal português? O meu Natal é… Uma preparação cuidada e a várias mãos da árvore de Natal. As mais jeitosas ficam encarregues das luzes. A estrela nunca está verdadeiramente direita. O Natal são chocolates na árvore a aparecer e a desaparecer misteriosamente (continuamente – o meu Pai certifica-se de que há sempre chocolates na árvore), só um fiozinho dourado e um resto pequenino de papel prateado rasgado a denunciar os roubos sucessivos. É um presépio bonito, composto, elaborado, com socalcos feitos de caixas antigas do Marks & Spencer e da Loja das Meias forradas de papel de lustro verde (quando éramos miúdos íamos todos à Mata de Barão de São João buscar musgo para o presépio), com pastores e pastorinhas espalhados, algumas ovelhas (neste presépio não há cabrinhas…), o burro e a vaca, um poço, algumas casas, São José e a Virgem Maria no topo, os três Reis Magos a caminho e o Menino Jesus a chegar só mesmo à meia-noite do dia 25. São demasiados doces a chegar lá a casa – um tronco de chocolate que não se deixa tocar, uma tarte de amêndoa da viúva do Sr. Daniel, fatias douradas, sonhos, e outros tantos que, eu confesso, nunca chego a provar.

O Natal é uma confusão de gente a entrar na casa da cidade, uma canja de galinha com arroz que começa a ser feita sempre em cima da hora, pão de forno na mesa e presunto acabado de cortar, bacalhau e couves, sem dúvida!, vozes, risos e gargalhadas altas, uma confusão em que ninguém se deixa ouvir. Os miúdos a correr de um lado para o outro. São duas mesas grandes, porque já há muito que não cabemos todos na mesma. O Natal são pequenos papelinhos com os nomes a indicar o nosso lugar. O Natal é esperar pelo Filipe e pelo Miguel que, cambaleantes na sua alegria, chegam sempre tarde do seu corridinho de Natal às casas e amigos de Lagos – chegam normalmente a falar uma língua inebriada que só os dois primos entendem. O Natal é azevinho. O Natal é comer à pressa para apanhar a Missa do Galo.

O Natal é um peru delicioso, por vezes destronado por um Galo Capão, com um arroz de grelos único. A receita do arroz de grelos passou da minha Avó Mia para a minha Mãe. (Esse peru ou galo e esse arroz de grelos ficamos a comê-los nos dois ou três dias seguintes. Eu sou a única que não se queixa…) O Natal é uma discussão constante em torno dos pratos do serviço de Natal – quem fica com o comboio, quem fica com o cavalo, quem fica com o soldadinho ou os soldadinhos, com o trenó e, sobretudo, quem NÃO fica com a corneta! O Natal é uma mesa bem posta: toalha, pratos, copos e guardanapos a condizer. O Natal são várias cores, de preferência nos mesmos tons. O Natal é uma lareira sempre acesa, o cheiro de lenha a encher a sala e a fugir da chaminé. O Natal é frio na rua, calor em casa. O Natal é muito vinho!

O Natal é uma tentativa contínua de um plano perfeito para viciar o sorteio dos presentes, cada vez mais controlado, cada vez mais difícil de viciar. (Depois de três anos ou mais a calhar a mim e às minhas irmãs trocar os presentes entre as três, começaram a desconfiar…) O Natal são passeios à cidade, a tentar equilibrar o passo na calçada escorregadia, a correr atrás do cheiro a castanhas assadas na rua. O Natal é uma troca constante de “Bom Natal”, “Boas Festas”, “Feliz Natal” quando passeamos pela rua. São postais de Natal em cima da lareira. São velas grandes e encarnadas acesas durante demasiado tempo, a derreter esquecidas sobre onde não queremos. O Natal é roupa quente, uma gola alta, um gorro, luvas de lã, um cachecol bem enrolado. São presentes também. Só um para cada pessoa. Escolhido a dedo e anunciado com muita imaginação. Com muito humor também. O Natal é lembrar quem não está e quem faz falta. Ou porque foi e já não volta ou porque simplesmente não pôde estar ali. O Natal é estar à mesa e deixar as muitas histórias e recordações prolongar o almoço e o jantar. O Natal em minha casa é a cumplicidade da boa-disposição. O Natal para mim é tudo isto… Mas é também muito mais. 
(texto: © Graça Almeida Borges; fotografia© Constança Cabral)

Natal Washi :: Washi Christmas

Durante anos resisti à washi tape (fita-cola japonesa feita de papel de arroz). Muito francamente, achava que era supérflua e cara. Mas viver num motel é a desculpa perfeita para comprar pequenas coisas que dêem sabor ao dia-a-dia: revistas e mais revistas de decoração, alguns livros sobre a Nova Zelândia… e washi tape.
Este foi o primeiro Natal do Rodrigo e, como tal, achei que tinha mesmo de haver uma árvore. No dia 24 peguei num pacote de quadrados de algodão e nas minhas (agora muito queridas) washi e colei uma espécie de árvore de Natal na parede. E no dia 25 à tarde tirámos a árvore da parede (as washi são óptimas porque não deixam resíduo).
Os presentes foram embrulhados com washi tape e papel pautado cor-de-rosa (que encontrei na papelaria e ao qual não consegui resistir).
For years I’ve resisted washi tape. To be perfectly honest, I always thought is was superfluous and expensive. But living in a motel is the perfect excuse to buy all sorts of small things that will enhance your everyday life: heaps of interior magazines, some books about New Zealand… and washi tape.

This was Rodrigo’s first Christmas so I reckoned we really needed a Christmas tree. On the 24th I grabbed a packet of cotton wool squares and my (now beloved) washi and taped a sort of tree to the wall. And in the afternoon of the 25th we took the tree down (washi tape is great because it leaves no residue).

Presents were wrapped using washi tape and some pink ruled paper (that I found at the stationery shop and couldn’t resist buying).
(photos: Tiago Cabral)

Bom Natal! :: Merry Christmas!

Bom Natal, bom Natal, bom Natal! Espero que o vosso Natal seja cheio de paz e alegria. O nosso, apesar de algo estranho, será certamente inesquecível. Até breve!
Merry Christmas, merry Christmas, merry Christmas! I hope your Christmas is filled with peace and joy. Ours, although rather strange, will certainly be unforgettable. See you soon!

(photos: Tiago Cabral)

Guest Post @ Short Story of Life and Style

Tenho um guest post de Natal no blog Short Story of Life and Style.  Muito obrigada, Patrícia!
(esta foi a nossa árvore de Natal do ano passado — este ano estamos a viver num motel e, como estamos sempre a mudar de quarto, não há árvore para ninguém…)
I’ve got a Christmas guest post over at the blog Short Story of Life and Style (in Portuguese only, sorry). Thank you so much, Patrícia!

(this was what our Christmas tree looked like last year — this year we’re living in a motel and since we keep changing rooms, there’s no tree whatsoever…)

(photo: Constança Cabral)

Um Natal Neo-Zelandês :: A Kiwi Christmas

Adoro estas etiquetas de Natal que descobri numa papelaria aqui da zona. Um Natal com calor é para mim estranhíssimo, mas um Natal com sentido de humor… isso é altamente refrescante.
Que mais descobri na papelaria? Que se deve andar sempre com os olhos bem abertos e que há mil possibilidades para embrulhos alternativos. Lembram-se dos mapas e das caixas de bolos? Pois este ano uso papel quadriculado e caixas para noodles
I love these Christmas gift tags I found at the local stationery shop. Christmas in summer is such an odd thing for me but Christmas with a sense of humour… now that’s highly refreshing.

What else have I found at the shop? That you should always keep your eyes open and that there’s a thousand different possibilities for gift wrapping. Remember the maps and the bakery boxes? Well, this year I’m going for grid paper and noodle boxes.

(photos: Tiago Cabral)

A Pensar no Natal :: Thinking about Christmas

Têm-me perguntado se este ano vou ter à venda mais enfeites de Natal e infelizmente a resposta é não. Mas as boas notícias são que podem fazer vocês mesmas os enfeites! Estamos no final de Setembro e ainda há muito tempo para comprar materiais e ir fazendo um ou dois enfeites por noite. É tão bom estar a ver um filme ou uma série e ter qualquer coisa para ir cosendo. Estes enfeites podem ser inteiramente feitos à mão e não é sequer preciso ter experiência de costura — qualquer pessoa é capaz de os fazer! Há que não ter medo e experimentar, e se os primeiros ficarem um bocado trapalhões, qual é o problema? Depois de terem feito quatro ou cinco estarão um ases. As minhas instruções para fazer enfeites de Natal em feltro foram escritas em 2008 mas continuam actuais. Experimentem!
I’ve been asked a few times if I’m going to sell Christmas ornaments this year and unfortunately I won’t. But the good news is that you can make them yourself! September is just ending which means there’s still time to buy supplies and make one or two ornaments every evening. It’s so nice to watch a film or series while you hand-sew something. These ornaments can be entirely made by hand and you don’t even have to be a gifted sewer — anyone can make them! Don’t be afraid and give it a try; if your first attempts turn out a bit wonky, who cares? You’ll be an expert by the time you’ve completed four or five. My instructions for making felt Christmas ornaments were written in 2008 but they’re still up to date. Give them a chance!

(photo: Constança Cabral)