Block Printed Tablecloth and Napkins

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Vou-vos contar a história deste presente de anos que fiz para a Rocío. Só conheço a Rocío há 11 meses mas ela conhece-me para aí há 11 anos. A verdade é que ela lê o meu blog e tem seguido o meu percurso quase desde o princípio. Quando se apercebeu de que nos tínhamos mudado para Logroño (a cidade onde vive) escreveu-me e rapidamente nos tornamos amigas.

Graças à Rocío, a nossa vida aqui em La Rioja tem sido muito mais fácil e muito mais divertida. Tem-nos ajudado imenso, convidou-nos para casa ela, apresentou-nos à sua família e aos seus amigos… e ainda há o pequeno pormenor de também ser doida por costura, decoração e reutilização! Só de pensar que provavelmente nunca nos teríamos conhecido num mundo pré-internet…

Quando me apercebi de que a Rocío estava prestes a fazer anos (ainda por cima um número importante!), pensei logo que me teria de empenhar em fazer-lhe um presente especial. Fui então desencantar os meus carimbos indianos e as minhas tintas para têxteis e acabei por lhe fazer um conjunto de toalha de mesa e guardanapos estampados à m.

A idea inicial era estampar seis guardanapos. Peguei num bocado de linho azul e cortei quadrados de 45 x 45 cm, que depois estampei com dois carimbos diferentes e tinta têxtil branca. Não saíram mal e, entusiasmada, lancei-me a fazer uma toalha a condizer. Tenho um pano de lençol antigo que sempre me pareceu demasiado grosso para fazer lençóis mas que é ideal para ser transformado em cortinas ou toalhas. Comecei por cortar um bocado desse pano à medida da mesa dela (que eu já tinha medido em palmos — às escondidas! — uma vez que fomos almoçar lá a casa). Depois de lavado, seco e engomado, chegou a altura de o estampar. Comecei por fazer uma barra a toda a volta com dois blocos diferentes (um pequeno horizontal e um em forma de cornucópia) e depois preenchi o centro com uma flor, que estampei de maneira desencontrada. Antes de estampar o centro calculei mais ou menos quantas flores cabiam na horizontal e na vertical e depois ajustei o espaçamento… a verdade é que isto foi tudo feito um bocado a olho, sem grandes planos, e devo dizer que esta abordagem leve tornou este projecto bastante rápido e divertido.

Fiquei mesmo contente por me ter lançado nesta experiência e espero ter-vos entusiasmado a experimentar algo neste género um dia destes. Podem encontrar estes carimbos à venda online (experimentem googlar “indian wooden printing blocks”) e ver alguns vídeos de impressores indianos no Youtube. Ou podem experimentar fazer os vossos próprios carimbos ou até usar uma simples batata como eu fiz aqui.

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Let me tell you about Rocío. I’ve only known her for 11 months but she’s known me for about 11 years. You see, she’s been reading my blog and following my journey almost from the start. When she found out that we had just moved to Logroño (her native town) she got in touch with me and we quickly became friends.

Rocío has made our lives here in La Rioja much easier and more enjoyable. She’s helped us, given us tips, welcomed us into her home, introduced us to friends and family… and did I mention that she also sews and is really into interiors and repurposing? To think that we’d probably never have met in a pre-internet world!…

So when I realised that Rocío had a milestone birthday coming up, I knew I had to make her something a bit special. I brought out my Indian printing blocks and my textile paints and made her a block printed set of tablecloth and napkins.

I started out by making the napkins. I cut six 45 cm squares of blue linen and stamped them with two different printing blocks and white textile screen printing paint. They turned out OK so I decided I’d  go ahead make her a matching tablecloth too. I picked up a length of vintage cotton sheeting and cut it to size (I had sneakingly measured her table with the palm of my hand when she had us over for lunch one day). After the cloth had been washed, dried and ironed, I used a combination of two different blocks (a small horizontal one and a paisley-shaped one) to print a border all around its edge. I filled in the centre with a flower block in a makeshift half-drop repeat. I did do a rough calculation of how many blocks I was going to be able to fit vertically and horizontally before I began printing but I must say this was mostly eyeballed. Again, I used my hand as a measuring tool and just went for it. I’m usually an overthinker but because this project had a tight time frame, it ended up being extremely fast and quite liberating.

Anyway, this was a lot of fun to make and to give away and I hope you’ll consider having a go at block printing yourself. You can find printing blocks for sale online (just google “indian wooden printing blocks”) and watch a few videos of printing masters in India on Youtube. Or you could carve your own block or just use a potato like I did here.

Hand-Painted Fabric aka The Lipstick Cushion

handpainted-cushion-cover

18/100

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Na noite em que estampei aquele tecido com uma batata, usei essa mesma tinta para pintar outra capa de almofada. Inspirada novamente por um tecido da Rebecca Atwood, diluí bastante a tinta com água e usei um pincel grosso de aguarela para fazer estas marcas no pano (ainda aquele lençol antigo de linho grosso… vou ter muita pena quando ele tiver sido todo usado).

Agora que olho para esta fotografia, só consigo pensar em baton. Apesar de não ter sido essa a intenção, a verdade é que, quando misturei a tinta (usei um bocado de tinta encarnada e um bocado de cor-de-rosa fuchsia), tentei aproximar-me do tom de baton que a minha avó mais usava… e acabei por fazer uma interpretação bastante literal desse meu ponto de partida.

Tenho recebido algumas perguntas em relação ao tipo de tinta que uso para estampar tecidos (e aproveito para pedir desculpa por não estar a conseguir responder a todos os comentários… esta história de escrever um post por dia tem muito que se lhe diga). Até agora ainda só usei dois tipos de tinta: 1-tinta para têxteis; 2- tinta acrílica misturada com um aditivo têxtil (em inglês chama-se “fabric medium”… não sei ao certo o nome em português). Na semana passada comprei outro tipo de tinta que ainda não experimentei: “screen-printing ink” (mais uma vez, não sei se em português haverá um termo específico para “ink”… algo mais específico do que simplesmente “tinta”). Também há que use “dyes” (tinturas? corantes?) e lhes adicione um espessante para transformar essa “dye” numa pasta que possa ser utilizada para estamparia têxtil (estou cheia de vontade de enveredar por aqui um dia).

Ouçam, estou longe de ser especialista nesta matéria — estou a aprender fazendo e tenho-me divertido imenso. Encorajo-vos a experimentar estampar umas coisas!

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On the night I stamped that fabric with a potato I also painted another cushion cover. Inspired by this Rebecca Atwood fabric, I watered down the paint and used a thick watercolour brush to make these marks on the cloth (I used that antique coarse linen sheet I love so much… I’m going to be sad when it’s finished).

When I see this cushion I can only think of lipstick. I did think of the colour of my granny’s lipstick when I mixed up the paints (a red and a fuchsia) but now, looking at this photo, I realise that the inspiration came out in a very literal way. 

I’ve been getting a few comments regarding the type of paint I use to print fabrics (and I’m sorry I haven’t been replying to every single comment but this daily posting challenge takes up so much time). Up until now I’ve only used two types of paint: 1- fabric paint; 2- acrylic paint to which I’ve added some textile medium. Last week I bought some screen-printing ink but I haven’t used it yet so I can’t comment on it. Some people even thicken up dyes with a specific print paste (I’m really eager to give that a try one day).

Look, I’m far from being an expert in this field — I’m learning as I go and I’m having so much fun. I encourage you to just tryout a few things and see what you like!

 

Potato Printing

7/100

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Ontem à noite estampei uma capa de almofada. Usei meia batata que encontrei no nosso jardim (nunca plantámos batatas mas todos os anos desenterramos pelo menos uma dúzia delas… claramente os donos anteriores da nossa casa cultivavam-nas), um resto de lençol antigo de linho e uma mistura de duas tintas para tecidos.

A cor acabou por não ficar bem como eu queria — a mistura original era mais escura mas, depois de seca, revelou-se bastante mais cor-de-rosa do que a minha ideia inicial. Não faz mal, logo verei se resulta ou não com os outros tecidos que ando a reunir para a nossa sala. Se não resultar, posso sempre utilizá-lo para outra coisa.

O padrão é claramente inspirado neste tecido da Rebecca Atwood, cujo trabalho admiro imenso e cujo livro comprei há pouco tempo. A primeira vez que vi este tecido foi numa almofada na sala antiga da Emily Henderson. Uns meses mais tarde voltei a vê-lo no sofá da Erin Boyle. O padrão é tão simples mas tão incrivelmente eficaz! A minha estampagem ficou longe de perfeita, porque foi feita à noite, um bocado à pressa, sem régua nem medições, mas por acaso até gosto dela assim. Já não usava carimbos de batata desde a minha infância e não há dúvida de que funcionam bem!

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Yesterday evening I printed a cushion cover. I used half a potato I found in my garden (even though we’ve never planted potatoes here, every year we dig out at least a dozen of them… clearly the former owners of our house used to grow them), a piece of an old linen sheet and a mix of two fabric paints.

The colour didn’t turn out exactly as I had planned — the original mix was much darker but, once it dried, it turned out much more pink than I had anticipated. That’s all right, I’ll wait and see if it’s going to work with the other fabrics I’m putting together for our sitting room. If it doesn’t work, I can always use it for another purpose.

The pattern is clearly inspired by this fabric by Rebecca Atwood, whose work I admire and whose book I bought a few weeks ago. The first time I noticed this fabric was on a cushion in Emily Henderson‘s former living room. A few months later I saw it covering Erin Boyle‘s sofa. The pattern is so simple but so incredibly bold and graphic! My printing has turned out less than perfect because I was doing it at night, kind of in a hurry, without any rulers or measurements, but I actually like it this way. I had not used potato stamps since childhood and they’re incredibly effective!

Embrulho #4 :: Gift Wrapping #4

Mais uma ideia para carimbar papel de embrulho: tinta acrílica e uma rolha. Acreditam que tive de comprar uma rolha para este projecto? As garrafas de vinho neozelandês são todas de enroscar… não tenho uma única rolha no fundo das gavetas da minha cozinha!
O processo é simples: com um rolo espalha-se um bocado de tinta numa superfície lisa (eu usei papel vegetal de cozinha, mas uma placa de vidro teria sido ideal), usa-se a rolha como carimbo, deixa-se secar, faz-se o embrulho e termina-se com um bocado de fio de norte (também conhecido como fio de linho ou cânhamo).
Aqui fica uma sugestão para fazer com as crianças durante as férias de Natal!
Here’s another idea for stamping gift wrap: acrylic paint and a cork stopper. I actually had to buy a cork stopper for this project — I think every southern European will understand the bizarreness of this situation… buy a cork stopper? One usually has loads of them lying around the kitchen! But not in New Zealand: wine bottles here have screw caps!

Anyway, the process is dead simple: you just put a small amount of paint on your palette (glass would have been ideal but I have none so I used a piece of kitchen parchment papel instead), roll a brayer over it and use the cork stopper to stamp the paper (newsprint in my case). Let it dry, wrap the present and finish with some flax twine.

This could be a great activity to make with children during the Christmas holidays!
(photos: © Constança Cabral)

Embrulho #3 :: Gift Wrapping #3

Estampar papel-jornal com cabeças de papoila é a ideia de hoje. No nosso jardim temos bastantes papoilas-dormideiras espontâneas. Já usei muitas vezes tanto as flores como as cabeças em arranjos, e um dia, quando as estava a cortar, olhei com atenção para a parte de cima das cabeças e fiquei cheia de vontade de experimentar usá-las como carimbo. E não é que funciona? Basta escolher as cabeças que têm superfícies planas (dependendo do estado de maturação, assim são curvas ou planas) e usá-las como um carimbo normal. Adoro o efeito e estou cheia de vontade de as estampar em tecidos!
Stamping newsprint with poppy heads is today’s idea. In our garden we’ve got lots of opium poppies that keep self seeding all over the place. I’ve used both the flowers and the heads in flower arrangements but when I was cutting one the other day, the thought of using the heads as stamps occurred to me. And it works! You just need to pick the latest heads (they can be flat or slightly curved depending on their ripeness) and use them just like you’d use a regular stamp. I’m in love with this look and I can’t wait to stamp them on fabric!

(photos: © Constança Cabral)

Embrulho #2 :: Gift Wrapping #2

Hoje mostro-vos uma das minhas ferramentas preferidas: um carimbo! Há uns anos encontrei este carimbo numa loja de província inglesa, daquelas que já são raras hoje em dia e que vendem tudo e mais alguma coisa, desde baldes de plástico a pasta de dentes. O carimbo não é de muito boa qualidade (há versões bem melhores nas grandes papelarias), mas permite um sem-fim de utilizações.
Neste caso compus a data do dia de Natal, mas também pode ser utilizado para um presente de anos, carimbando no papel de embrulho a data de nascimento do destinatário. O papel que utilizei foi papel-jornal — há uns tempos comprei uma resma para os desenhos do Rodrigo e para as minhas experiências com carimbos e afins.
Escolhi uma fita às riscas encarnadas e brancas, mas poderia ter usado fio de norte, para uma versão minimalista, ou com uma fita de cetim larga numa cor flash, para um embrulho verdadeiramente festivo.
Today I bring one one of my favourite tools: a stamp! A few years ago I found this date stamp at an English old-fashioned general store, one of those shops that are rare nowadays and that sell everything under the sun, from pails to tooth paste. This particular stamp isn’t top quality (there are  much better versions for sale in big stationery shops) but it allows an infinite number of possibilities.

In this case I stamped the date of this year’s Christmas day but you could also use it for birthday presents by turning the numbers so you could stamp the recipient’s date of birth. The paper I used was newsprint — I had bought a big ream of newsprint paper for Rodrigo’s art attempts and for my own experiments.

I chose a red and white stripey ribbon for this particular gift, but you could use flax twine for a minimalist look or a wide satin ribbon in flashy colours for a truly festive present.

(photos: © Constança Cabral)

Hapa-Zome

Desde que vi a Alys Fowler a experimentar a técnica do hapa-zome – extracção da tinta das folhas e pétalas de flores através do uso de um maço ou martelo – que fiquei cheia de vontade de experimentá-la. Mas foi o avental da Karyn que me fez atacar o jardim e desatar a martelar. Comecei por estampar as folhas das amoras silvestres para usar nos frascos de geleia e, quando dei por mim, tinha tingido bastantes quadrados de tecido. Ainda bem que já não vivo num apartamento… o barulho foi ensurdecedor.
Ever since I watched Alys Fowler trying her hand at hapa-zome – a bashing technique used to extract natural dyes from leaves and petals – that I’ve been wanting to make this. But it was Karyn’s apron that really made me raid my garden and get hammering. I started by printing the leaves of wild blackberries to use on my jelly jars and before I knew it I had printed several fabric squares. I’m glad I’m not living in a flat anymore… this experience proved to be a very loud one.

(images: Constança Cabral)