Natal Cor-de-Rosa :: Pink Christmas

Apesar de estarmos a viver uma Primavera esquizofrénica (25ºC num dia, 15Cº no outro… às vezes calor e humidade, outras vezes frio e ventos ciclónicos e, claro, o Rodrigo constipado), decidi que tenho de abraçar este Natal-não-invernoso. Há que deixar a simbologia do hemisfério norte para trás e tentar encontrar novas referências. Este nosso Natal vai ser aquilo que a Páscoa não pode ser: uma festa em cores frescas. Venham daí o cor-de-rosa, o azul-turquesa, o verde-água e o amarelo-limão! 
Numa estrada aqui ao pé reparei nuns arbustos limpa-garrafas, uns cor-de-rosa claro e outros cor-de-rosa shocking. Em Portugal é fácil encontrar limpa-garrafas, mas só os conhecia em encarnado! São arbustos australianos e não neozelandeses, mas vêem-se bastante por cá. Pensei imediatamente que dariam uma coroa de Natal bem gira e, uns dias depois, voltei ao mesmo sítio munida da minha fiel secatória e apanhei alguns ramos.
Estas coroas são fáceis de fazer e têm bastante impacto: basta ir prendendo os ramos a uma armação circular, com a ajuda de um bocado de arame ou cordel, tendo o cuidado de orientá-los sempre na mesma direcção.
As coroas naturais duram bastante tempo em climas frios (as que fiz em Inglaterra duravam semanas a fio). Esta vai secar rapidamente, mas não faz mal porque já tenho uma ideia para a próxima!
Although we’ve been having a rather schizophrenic spring (25ºC one day, 15ºC the next… sometimes it’s hot and humid, other times it’s cold and windy… no wonder Rodrigo got a cold), I’ve decided that I must embrace this non-wintery Christmas. I’ve got to leave the northern hemisphere symbology behind and come up with new references. This Christmas is going to be what our Easter couldn’t be: a festivity in ice-cream colours. I want pink, turquoise, mint green and lemon yellow!

The other day I noticed a few bottlebrush shrubs on a road verge not far from here. The thing that struck me was their colour: light pink and hot pink! I’ve seen lots of bottlebrush shrubs in Portugal but they were always red. They’re native to Australia, not NZ, but you see them a lot around here. When I saw them I immediately thought they’d make a great Christmas wreath so a few days later I went back there with my trusty pair of secateurs and clipped a few branches.

These wreaths are very easy to make and have a great impact: you just attach the branches to a metal circle using a piece of wire or twine, making sure that they’re all pointing in the same direction.

Natural wreaths keep for quite a while in cold climates (the ones I made in England went on for weeks on end). This one will dry out quickly but that’s fine because I already have an idea for the next one!
(photos© Constança Cabral)

1 Ano de NZ :: 1 Year in NZ

Hoje faz um ano e dois dias que chegámos à Nova Zelândia. Há um ano estávamos a viver num motel e o Rodrigo tomava banhos no lava-loiças. Viemos viver para o outro lado do mundo (“mais longe, só a Lua”, comentou o meu irmão) porque achámos que tínhamos que agarrar esta oportunidade. As pessoas arrependem-se mais daquilo que não fazem do que daquilo que fazem, não é verdade? Nós achamos que sim.
Não vou mentir: foi um ano difícil. A vida é tranquila, mas solitária. As pessoas são simpáticas, mas fazem-me falta as minhas pessoas: a família, os amigos. Poder partilhar a nossa vida com elas. Acompanhar as suas vidas. Rir-me às gargalhadas sem traduções pelo meio. O Rodrigo poder crescer ao pé dos avós. Quem me dera que a Europa fosse mais perto. Que fosse mais fácil, mais rápido e mais barato (e, portanto, mais frequente) visitar e ser visitado.
Foi um ano cheio de desafios e também de coisas boas. Vivemos numa casa óptima, que ficará ainda melhor à medida que lhe formos fazendo obras. Temos um jardim. Não está sempre a chover. O Tiago gosta muito do trabalho.
O melhor tem sido, sem sombra de dúvida, ver o Rodrigo crescer muito e bem.
We arrived in New Zealand one year and two days ago. Last year we were living in a motel and Rodrigo took his baths in the sink. We came to live on the other side of the world (my brother commented that after NZ, only the moon could be farther away from Portugal) because we believed we had to grab this opportunity. People tend to regret more the things they didn’t do rather than the things they did do, don’t you think? We believe so.

I won’t lie: it was a difficult year. Life is peaceful but lonely. People are very nice but I miss my people so much: family, friends. Sharing our lives with them. Being part of their lives. Laughing out loud without a need for translation. Having Rodrigo grow up near his grandparents. I wish Europe was closer. I wish it was easier, faster, cheaper (and therefore more frequent) to visit and be visited.

It was a year filled with challenges but also good things. We live in a great house, one which will be even better once it’s all renovated and redecorated. We’ve got a garden. It doesn’t rain all the time. Tiago loves his work.

The best thing has been, without a shadow of a doubt, watching Rodrigo grow up so much and so well.
(photo© Constança Cabral)

De Volta à NZ :: Back in NZ

Estamos de volta a casa, depois de 42 horas em trânsito (28 das quais foram passadas dentro de aviões). Ainda estou meio desorientada, mas muito contente com a nossa casa e com o nosso jardim e cheia de vontade de pôr em prática as muitas ideias que andam pela minha cabeça. Viva a Primavera nos antípodas!
We’re back home after 42 hours in transit (28 of which were spent inside airplanes). I’m still finding my feet but I’m feeling very happy about our house and garden and I can’t wait to start working on all the ideas that are currently filling my brain. Hurrah for antipodean spring!

(photos: © Constança Cabral)

Coisas Velhas :: Old Stuff

Porquê este meu amor pelas coisas antigas de uso quotidiano?

Porque têm história. A história da minha família ou a história de desconhecidos. E contam a história do momento em que as encontrei.
Porque carregam memórias. E sentimentos. 
Porque evocam outros tempos. Saudosismos primários à parte, houve coisas que se perderam com o passar dos anos e sabe bem reencontrarmo-nos com elas.
Porque (normalmente) têm qualidade. Foram feitas para durar. O uso amaciou-as. Tornou-as mais leves, com arestas menos aguçadas. 
Porque não são perfeitas. Têm rachas, riscos, nódoas, buracos, sujidade, ferrugem. Têm patine! E isso pode ser absolutamente encantador (abaixo o restauro demasiado meticuloso de objectos e edifícios!).
Porque são úteis. Mesmo que seja num contexto completamente diferente do original.
Porque puxam pela nossa criatividade. Lá está, o seu propósito original pode ser obsoleto nos dias que correm, mas há sempre maneira de pô-las a uso.
Porque encontrá-las é normalmente uma aventura. Numa feira, no lixo, numa loja de caridade, numa gaveta em casa da avó, numa caixa enviada pelo correio. 
Porque são únicas. Têm personalidade. Mesmo que tenham sido produzidas em massa na sua época, já passaram por muitas mãos, dispersaram-se pelo mundo, muitas perderam-se pelo caminho, outras sobreviveram. Aquelas que ainda existem são especiais.
Serão precisas mais razões para gostar de coisas antigas?
Why do I love old everyday things so much?

Because they tell a story. Either my family’s story or other people’s stories or even the story of how I came across that particular piece.

Because they carry memories. And feelings too.

Because they evoke the past. I’m not saying that everything was better in the olden days — far from it! — but some things got lost along the way and it feels good to recover them.

Because they (usually) have got quality. They’ve been made to last. And the fact that they’ve been well use has made them softer, rounder, lighter.

Because they’re not perfect. They’ve got cracks, holes, scratches, stains, dirt and rust. They’ve got patina! And that can be absolutely charming (I’m totally against over-restored objects, buildings and sites).

Because they can be useful. Even if it’s in an entirely different context from the original one.

Because they trigger your creativity. As I’ve just said, their original purpose may be obsolete by now but they normally can be put to use in other (creative) ways.

Because finding them is usually an adventure. You can spot them at fairs, charity shops, on the street, inside a drawer at your granny’s, you can even get it in a parcel!

Because they’re unique. Even if they were originally mass-produced, they’ve been through a lot — some got lost along the way, others have survived. Those that still exist are special.

Does one need any more reasons to love old stuff?

(photo: © Constança Cabral)

Manawatu Gorge

Toda a gente fala na extraordinária beleza natural da Nova Zelândia. Temos muita vontade de explorar o país e ver tudo isso com os nossos olhos, mas a verdade é que o nosso dia-a-dia é bastante normal. Vivemos numa vila agradável numa zona de quintas, em que o terreno é relativamente plano e as estradas são todas a direito. Mas de vez em quando há surpresas! Basta andar meia-hora de carro para nos depararmos com sítios muito bonitos, como este Manawatu Gorge, por exemplo.
Agora uma pergunta para quem conhece bem a Nova Zelândia: que sítios recomendam que visitemos?
Everyone talks about the extraordinary natural beauty of New Zealand. We are eager to explore the country and see everything with our own eyes, but truth is our daily life is pretty normal. We live in a nice town surrounded by farms, where the land is quite flat and the roads are long and straight. However, you only have to get in the car and travel for half an hour to find some gems, like the Manawatu Gorge pictured above.

And now a question for those amongst you that know New Zealand well: which places do you recommend we visit?
(photos: © Constança Cabral)

Caça ao Tesouro :: Treasure Hunt

Não quero fazer passar a ideia de que as lojas de caridade são o El Dorado. Ou que eu só frequento antiquários de bom gosto, ou feiras muito editadas. Muito pelo contrário: os meus sítios preferidos são desarrumados, duvidosos, a rebentar pelas costuras de maravilhas e horrores. Há dias em que saio desses locais quase deprimida… são os dias de chuva, os dias em que me sinto mais cansada ou desanimada. Mas nos dias de boa disposição… nessa altura sinto um formigueiro de excitação e parece que tudo é possível. 
Não adoram uma boa caça ao tesouro?
I don’t want to sound as though charity shops are the El Dorado. Neither do I want you to think that I only frequent tasteful antique shops or curated fairs. In fact, it’s quite the opposite: my favourite places tend to be chaotic, dubious, bursting at the seams with horrors and wonders. There are days when I leave those places feeling almost depressed… it usually happens when it’s raining or I’m feeling especially tired or gloomy. But on cheerful days… well, I tingle with excitement and it seems that anything is possible.

Don’t you love a good treasure hunt?
(photos: ©Constança Cabral)

Mercado :: Farmers’ Market

Sexta-feira é dia de mercado na vila onde moramos. Há carrinhas com peixe, carne e pão, e algumas bancas com legumes, fruta, doces, vinho, plantas, flores e até sabonetes. Hoje havia marmelos à venda e o céu estava azul. Que belíssima maneira de começar o fim-de-semana!
Friday is farmers’ market day in our new town. There’s fish, meat, bread, fruit, vegetables, jams, wine, plants, flowers and even soap for sale. Today I spotted some quinces and the sky was bright blue. What a great way to start off the weekend!

(photos: Constança Cabral)

NZ Op-Shops

As lojas de caridade neozelandesas são muito diferentes das inglesas. Para começar, as coisas que estão à venda são mais antigas. E bastante mais usadas. E algumas das peças que lá tenho encontrado foram feitas à mão.
A NZ é um país muito periférico — faz-me lembrar Portugal em tantos aspectos —, o que significa que as pessoas tiveram de tirar o maior partido dos recursos que cá havia. Em Inglaterra nota-se o consumismo e o “usar e deitar fora” em tudo, até nas lojas de caridade. Na NZ, fico com a ideia de que se dá/dava mais valor aos objectos.
(Atenção, isto não é uma crítica, apenas uma constatação. Só cá estou há três meses e é disto que me tenho apercebido.)
Vejamos o exemplo da roupa de criança. Nunca em Inglaterra encontrei peças como estas. Roupa com 30 anos no mínimo, favos feitos à mão, tudo bastante coçado, a fazer pensar que terá sido usado por irmãos, primos, conhecidos. Alguns modelos clássicos, outros terrivelmente datados. Vendidos ao preço da chuva. Pena o poliéster fazer quase sempre parte da composição dos tecidos… caso contrário, teria trazido tudo para casa. Mesmo assim, não resisti a comprar alguns vestidos…
NZ op-shops are quite different from English charity shops. For starters, here in NZ you can find  much older things for sale. And what’s for sale has been well-used. And some of it is handmade.

NZ is a peripheral country — it reminds me of Portugal in so many ways —, which means that people here have been forced to make the most of their resources. In England you can see the consumerism and the throw-away culture everywhere, even in charity shops. In NZ I get the feeling objects are/were more cherished.

(Please note that this isn’t criticism: it’s merely what I’ve been sensing over the last 3 months.)

Take children’s clothes, for instance. I could never find items like these ones in England. Clothes that are at least 30 years old, some hand-smocked, all showing signs of having been worn by numerous siblings and cousins. Some of them have classic lines, while others are completely dated. And they’re all sold so cheaply. It’s a shame that polyester is usually more than half of the fabric’s composition… otherwise I would have taken almost everything home. Nevertheless, I couldn’t resist buying a few dresses…

(photos: Constança Cabral)

Provisório :: Temporary

 

 

O contentor com as nossas coisas ainda não chegou, o que significa que viemos morar para uma casa vazia. Há três anos, em Inglaterra, aconteceu precisamente o mesmo: duas semanas numa casa gelada no meio do campo, sem carro, sem sofás, a dormir em colchões no chão.
Houve, pois, que comprar o básico. Mas como não sei quantas vezes iremos passar por isto, tenho grande relutância em estar a comprar constantemente as mesmas coisas. Se tenho mesmo de comprar, ao menos que compre coisas (baratas) com algum interesse, que mais tarde possam vir a ser utilizadas noutros contextos.
Não deu para fugir ao essencial: colchões, um berço de campanha, lençóis e toalhas de banho. Mas, na altura de comprar equipamento de cozinha, em vez de me dirigir ao supermercado mais próximo (não há Ikea na NZ), entrei em todas as lojas de caridade e velharias por que passei.
Os meus critérios foram barato e interessante. Barato a ponto de não pensar duas vezes antes de comprar; interessante de forma a que, mais tarde, tudo isto possa vir a ser usado nas nossas produções fotográficas caseiras, em festas de jardim, picnics, enfim.
Claro que nem tudo o que estamos a utilizar é em segunda-mão… o Tiago, apesar de ser uma pessoa extraordinária, às vezes tem pouca paciência para estas minhas idiossincrasias… quando se apercebeu de que eu me tinha esquecido de comprar facas e garfos (não me esqueci propriamente… mas tudo o que encontrei era feio ou caro), não hesitou em ir comprá-los ao supermercado.
Our container hasn’t arrived yet, which means that we came to live in a totally empty house. We went through the exact same thing three years ago in England: two weeks in a freezing house in the middle of nowhere, no car, no sofas, just two mattresses on the floor.
 
So we were forced to buy some basics. But because I don’t know how many times we’ll be in this position, I am extremely reluctant to keep buying the same things over and over again. If I really must buy, at least I want (cheap) things with some interest that will work in different contexts later on.
 
We couldn’t help spending money on essentials like mattresses, a portable cot, sheets and towels. But as far as kitchen kit goes, instead of heading over to the local supermarket (bearing in mind that there’s no Ikea in NZ) I went inside every single charity shop and junk shop I stumbled upon.
 
My criteria was cheap and interesting. Cheap to the point of buying it without giving it a second thought; interesting so everything can be used in our homemade photo shoots, in garden parties, picnics, etc.
 
Of course not everything we’ve been using is second hand… Tiago, albeit being an extraordinary person, sometimes is a little impatient in regard to my little extravagances… when he realised I had forgotten to buy knives and forks (I didn’t really forget… they were just either ugly or expensive) he went down to the nearest supermarket and bought a whole set of them.

(photos: Constança Cabral)