Doce de Abóbora e Nozes :: Pumpkin and Walnut Jam

Na manhã em que íamos fazer a viagem Lisboa – La Rioja, e precisamente no momento em que o Tiago e eu estávamos a carregar o carro com as nossas malas, presentes de Natal e inúmeros objectos que desencanto sempre que vamos de férias a Portugal, a minha amiga Tânia apareceu para dar-nos um abraço de despedida. Trazia com ela uma abóbora da fazenda do seu avô para fazermos sopas com sabor a quinta, e que eu imediatamente imaginei transformada no meu doce de eleição: abóbora e nozes.

A abóbora passou um mês no parapeito da cozinha e, quando chegou a altura de a cortar, pus de lado um quilo e lancei-me a fazer o doce, enquanto o Rodrigo retirava, lavava e punha a secar as sementes, que planeamos semear quando chegar a Primavera.

Não sei se esta será a variedade de abóbora mais indicada para fazer doce, mas digo-vos que valeu a pena experimentar. O resultado foi um doce cheio de sabor, que pode ser comigo com requeijão ou queijo fresco (a maneira tradicional em Portugal) ou até só à colher. Fi-lo assim:

Doce de Abóbora e Nozes

Ingredientes

1 kg de abóbora, descascada e cortada aos bocados

3 ou 4 paus de canela

3 ou 4 tiras de casca de limão

750 g de açúcar branco

200 g de nozes descascadas e partidas aos bocados

Frascos de vidro esterilizados (5 ou 6 frascos de 250 ml)

Método

Colocar numa panela a abóbora, os paus de canela e as cascas de limão. Juntar um fundo de água e deixar ao lume até que a abóbora esteja cozida. Retirar a canela e o limão e reduzir a abóbora a puré.

Juntar o açúcar e, em lume médio, ir mexendo até que se derreta por completo. Em seguida, aumentar o lume e deixar o doce obter o ponto, sem deixar de mexer (estará no ponto quando a colher começar a abrir estrada no fundo da panela).

Juntar as nozes, dar uma mexidela final e apagar o lume. Agora só falta enfrascar, tapar os frascos e fervê-los durante 10 minutos a seguir (sei que muita gente passa por cima deste passo, optando por simplesmente virar os frascos ao contrário até que estejam frios, mas eu não arrisco). Deixar os frascos arrefecer em cima de um pano sem lhes mexer.

Comer com requeijão ou queijo fresco!

Block Printed Tablecloth and Napkins

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Vou-vos contar a história deste presente de anos que fiz para a Rocío. Só conheço a Rocío há 11 meses mas ela conhece-me para aí há 11 anos. A verdade é que ela lê o meu blog e tem seguido o meu percurso quase desde o princípio. Quando se apercebeu de que nos tínhamos mudado para Logroño (a cidade onde vive) escreveu-me e rapidamente nos tornamos amigas.

Graças à Rocío, a nossa vida aqui em La Rioja tem sido muito mais fácil e muito mais divertida. Tem-nos ajudado imenso, convidou-nos para casa ela, apresentou-nos à sua família e aos seus amigos… e ainda há o pequeno pormenor de também ser doida por costura, decoração e reutilização! Só de pensar que provavelmente nunca nos teríamos conhecido num mundo pré-internet…

Quando me apercebi de que a Rocío estava prestes a fazer anos (ainda por cima um número importante!), pensei logo que me teria de empenhar em fazer-lhe um presente especial. Fui então desencantar os meus carimbos indianos e as minhas tintas para têxteis e acabei por lhe fazer um conjunto de toalha de mesa e guardanapos estampados à m.

A idea inicial era estampar seis guardanapos. Peguei num bocado de linho azul e cortei quadrados de 45 x 45 cm, que depois estampei com dois carimbos diferentes e tinta têxtil branca. Não saíram mal e, entusiasmada, lancei-me a fazer uma toalha a condizer. Tenho um pano de lençol antigo que sempre me pareceu demasiado grosso para fazer lençóis mas que é ideal para ser transformado em cortinas ou toalhas. Comecei por cortar um bocado desse pano à medida da mesa dela (que eu já tinha medido em palmos — às escondidas! — uma vez que fomos almoçar lá a casa). Depois de lavado, seco e engomado, chegou a altura de o estampar. Comecei por fazer uma barra a toda a volta com dois blocos diferentes (um pequeno horizontal e um em forma de cornucópia) e depois preenchi o centro com uma flor, que estampei de maneira desencontrada. Antes de estampar o centro calculei mais ou menos quantas flores cabiam na horizontal e na vertical e depois ajustei o espaçamento… a verdade é que isto foi tudo feito um bocado a olho, sem grandes planos, e devo dizer que esta abordagem leve tornou este projecto bastante rápido e divertido.

Fiquei mesmo contente por me ter lançado nesta experiência e espero ter-vos entusiasmado a experimentar algo neste género um dia destes. Podem encontrar estes carimbos à venda online (experimentem googlar “indian wooden printing blocks”) e ver alguns vídeos de impressores indianos no Youtube. Ou podem experimentar fazer os vossos próprios carimbos ou até usar uma simples batata como eu fiz aqui.

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Let me tell you about Rocío. I’ve only known her for 11 months but she’s known me for about 11 years. You see, she’s been reading my blog and following my journey almost from the start. When she found out that we had just moved to Logroño (her native town) she got in touch with me and we quickly became friends.

Rocío has made our lives here in La Rioja much easier and more enjoyable. She’s helped us, given us tips, welcomed us into her home, introduced us to friends and family… and did I mention that she also sews and is really into interiors and repurposing? To think that we’d probably never have met in a pre-internet world!…

So when I realised that Rocío had a milestone birthday coming up, I knew I had to make her something a bit special. I brought out my Indian printing blocks and my textile paints and made her a block printed set of tablecloth and napkins.

I started out by making the napkins. I cut six 45 cm squares of blue linen and stamped them with two different printing blocks and white textile screen printing paint. They turned out OK so I decided I’d  go ahead make her a matching tablecloth too. I picked up a length of vintage cotton sheeting and cut it to size (I had sneakingly measured her table with the palm of my hand when she had us over for lunch one day). After the cloth had been washed, dried and ironed, I used a combination of two different blocks (a small horizontal one and a paisley-shaped one) to print a border all around its edge. I filled in the centre with a flower block in a makeshift half-drop repeat. I did do a rough calculation of how many blocks I was going to be able to fit vertically and horizontally before I began printing but I must say this was mostly eyeballed. Again, I used my hand as a measuring tool and just went for it. I’m usually an overthinker but because this project had a tight time frame, it ended up being extremely fast and quite liberating.

Anyway, this was a lot of fun to make and to give away and I hope you’ll consider having a go at block printing yourself. You can find printing blocks for sale online (just google “indian wooden printing blocks”) and watch a few videos of printing masters in India on Youtube. Or you could carve your own block or just use a potato like I did here.

Anzac Biscuits

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Não é só em Portugal que o 25 de Abril é um dia festivo. Na NZ e na Austrália celebra-se o Anzac Day, em memória das tropas australianas e neozelandesas que combateram na Primeira Guerra Mundial (ANZAC é a sigla para Australian and New Zealand Army Corps). Nos dois países há cerimónias ao nascer do dia para lembrar não só os soldados que morreram no fatídico desembarque em Gallipoli a 25 de Abril de 1915, mas também todos aqueles que perderam as suas vidas em conflitos armados.

Nesta altura do ano fazem-se umas bolachas chamadas Anzac Biscuits, cuja origem é controversa mas que estão fortemente ligadas a estas comemorações (podem ler mais sobre a história destas bolachas aqui). São óptimas e muito simples de fazer. Aqui fica uma receita que me foi dada pela Andrea, uma senhora que trabalhava com o Tiago e que era famosa pelos seus cozinhados:

Anzac Biscuits

Ingredientes:

1 chávena* de flocos de aveia

1 chávena de farinha de trigo

2/3 chávena de açúcar mascavado

2/3 chávena de coco seco ralado

125g de manteiga cortada em cubos

2 colheres de sopa de golden syrup

1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

(*esta “chávena” não é uma xícara propriamente dita, mas sim uma medida standard — cup em inglês. Eu uso um conjunto de metal que inclui 1 cup, 1/2 cup, 1/3 cup, 1/4 cup, 1 tablespoon e 1 teaspoon. Estes conjuntos são úteis para fazer receitas de países anglo-saxónicos.)

Método:

1. Ligar o forno a 160C. Cobrir três tabuleiros de forno com papel vegetal.

2. Numa taça grande, misturar os flocos de aveia, a farinha, o açúcar e o coco.

3. Colocar a manteiga, o golden syrup e duas colheres de sopa de água fria num pequeno tacho em lume médio. Ir mexendo até que a manteiga derreta por completo. Acrescentar o bicarbonato de sódio.

4. Incorporar a mistura da manteiga na taça dos ingredientes secos. Mexer bem até que todos os ingredientes estejam bem incorporados numa massa homogénea.

5. Fazer bolinhas de massa. Colocá-las nos tabuleiro de forno, afastadas umas das outras, e achatá-las ligeiramente.

6. Colocar os tabuleiros no forno e deixar as bolachas cozer cerca de 10-12 minutos, até que estejam douradas. Deixá-las arrefecer nos tabuleiros durante 5 minutos e depois transferi-las para uma rede/grelha até que estejam completamente frias.

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In New Zealand and Australia the 25th of April is a holiday called Anzac Day, in memory of the troops that fought in the First World War (ANZAC stands for Australian and New Zealand Army Corps). In both countries cerimonies are held at dawn in remembrance of those who lost their lives in the deadly landing at Gallipoli on the 25th of April 1915, as well as of everyone who’s ever served and died in any war or conflict.

This time of the year a lot of Anzac Biscuits are baked. Their origin is rather muddled but they’ve always been connected to this particular holiday (you can read more about their history here). They’re delicious and really easy to make. Here’s a recipe that was given to me by Andrea, a former co-worker of Tiago’s and a great cook:

Anzac Biscuits

Ingredients:

1 cup rolled oats

1 cup plain flour

2/3 cup brown sugar

2/3 cup desiccated coconut

125g butter, chopped

2 tablespoons golden syrup

1/2 teaspoon bicarbonate of soda

Method:

1. Preheat oven to 160 degrees Celsius. Line three baking trays with baking paper.

2. Combine oats, flour, sugar and coconut in a large bowl.

3. Place butter, golden syrup and 2 tablespoons of cold water in a saucepan over medium heat. Stir until butter has melted. Stir in bicarbonate of soda.

4. Stir butter mixture into oat mixture until combined.

5. Roll level tablespoons of mixture into balls. Place on trays and flatten slightly.

6. Bake for 10-12 minutes or until golden brown. Stand on trays for 5 minutes. Transfer to wire rack to cool completely.

Constellation Quilt

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Na nossa casa neozelandesa, as divisões eram quadradas com tectos muitos altos e desde logo senti necessidade de preencher aquela enorme expansão de paredes. Há uns anos escrevi um post sobre a importância de pendurar nas paredes de nossa casa a nossa própria história, e continuo a sentir-me confortável em ambientes bem recheados (não sou de todo uma minimalista). Pois bem, há paredes em que essa tarefa é fácil (um quadro colocado entre duas janelas ou centrado em cima de uma cómoda, por exemplo), mas outras há que constituem verdadeiros desafios.

No caso da nossa sala, a primeira parede continha a lareira e um passa-pratos, a segunda era inteiramente composta por janelas, na terceira fizemos uma galeria de quadros (num próximo post mostrar-vos-ei como ficou quando finalmente a completámos) e a quarta… bem, essa rapidamente nos mostrou que era “a parede problemática”.

Nos meus habituais devaneios de grandeza (já os conhecem — quando começo a pensar “nas tias”, nos sótãos e nos armazéns que nunca existiram) imaginei que poderia lá pendurar uma colcha de Viana (antiga e de casal, pois claro), ou um tapete de Arraiolos, ou quem sabe um tecido antigo… mas, dada a ausência de uma “peça têxtil” com a dignidade e antiguidade necessárias, resolvi fazer eu algo com as minhas próprias mãos.

Já andava a namorar os quilts-mapa do Haptic Lab há uns tempos e um dia percebi que eles não só vendem os moldes, como tinham algo ideal para a nossa casa: um desenho das constelações do hemisfério sul para bordar numa manta de 180 x 180 cm.

E assim o fiz. Encomendei o desenho, comprei os tecidos (para frente um algodão — shot cotton — com fios azuis-escuros e pretos, para trás um tecido branco), o enchimento para quilts (de algodão) e a linha de bordar (escolhi um fio de viscose — rayon — prateado da DMC).

A parte mais difícil do processo foi o mise en scène, ou seja, fazer a sanduíche do quilt e depois prender-lhe por cima o desenho das constelações. O desenho vem impresso numa entretela fina que, no caso destes quilts maiores, é composta por duas folhas de entretela que se encontram no meio e que idealmente encaixariam uma na outra na perfeição, mas que, pelo menos no caso do meu molde, estavam desencontradas no centro. Essa foi a primeira e, pensando bem, a única dificuldade deste projecto hercúleo. O resto foi demorado mas nunca difícil.

Presas e alinhavadas as quatro camadas (tecido de trás, enchimento, tecido da frente e entretela), fui buscar o bastidor maior que tinha em casa (onde pendurei aquela rena “empalhada” que fiz há uns anos) e comecei a bordar. O bordado faz-se por cima da entretela, que no fim de retira com cuidado, e os pontos são muito simples: ponto atrás e nós franceses, nada mais. [Podem espreitar as instruções aqui.] A linha de viscose que escolhi não foi a mais fácil de usar (aliás, só quando cheguei a casa é que me apercebi de que não tinha comprado uma linha normal de algodão… mas a verdade é que a viscose tem um brilho muito cósmico e resulta bem quando se está a bordar estrelas) mas nada do outro mundo.

Quanto tempo demorei a completar este bordado? Dois ou três meses. Adoro projectos grandes que se fazem com calma ao serão, uma ou duas horas por noite, enquanto vejo um filme ou um episódio de uma série na televisão. Não recomendo que embarquem num projecto destes em pleno Verão, como eu fiz, porque o quilt é grande e pesado e faz imenso calor!

Agora que voltámos a viver na Europa, fico contente por ter esta recordação do céu estrelado do hemisfério sul. É um céu magnífico, que dá dez a zero ao céu do hemisfério norte, e que sempre me fez pensar nas grandes aventura marítimas do passado. O Haptic Lab também vende o desenho do céu do hemisfério norte, assim como um mapa-mundi e as plantas de muitas cidades à volta do mundo: espreitem aqui.

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In our NZ villa we had square rooms and high ceilings and ever since we first moved I felt the need to fill up those large walls. I once wrote a post about the importance of hanging personal objects on our walls and I still feel most comfortable in layered environments (a minimalist I am not). There are walls in which that task is easily accomplished (for instance, a picture hung between two windows or centered over a chest of drawers) but some walls can be a lot trickier.

Take our sitting room: the first wall had the fireplace and a dumb waiter, the second was entirely taken up by a big bay window, on the third one we did a gallery wall type of arrangement (I’ll show you how it ended up looking on my next post) and the forth wall… well, that quickly revealed itself as being “the problem wall”.

In my usual dreams of grandeur (I’ve already told you about them — when I start longing for “the aunts”, the crammed attics and outbuildings that never quite existed) I thought I’d use that wall to display a lovely old embroidered bedspread or a rug or a precious piece of antique fabric… however, due to the lack of a dignified “textile piece”, I decided to just make something with my own hands.

I’d been eyeing Haptic Lab’s map-quilts for a while and one day I discovered that not only do they sell DIY kits, they had the perfect thing for me: a template of the constellations of the Southern Hemisphere sky to embroider onto a 72 x 72 in. quilt (180 x 180 cm).

And that’s how I embarked upon this herculean project. I ordered the template, bought the fabrics (a navy and black shot cotton for the front and some white plain cotton for the back), a piece of cotton wadding and a few skeins of embroidery thread (I picked a silver DMC rayon).

The trickiest part of the process was the whole mise en scène, that is, making the quilt sandwich and securing the embroidery template on top of it. The template is printed onto a thin paper-like interfacing which, in the case of these larger quilts, is actually made out of two interfacing pieces-that meet in the centre and that ideally are perfectly matched. Unfortunately, in my case they didn’t match and that was the only difficulty I faced in this entire project. The rest took time but wasn’t difficult at all.

Once the four layers (backing, wadding, top and template) were all pinned and basted together, I got the largest embroidery hoop I could find at home (I actually had to steal it from that stuffed reindeer in the play room) and started embroidering. You make your stitches over the interfacing, which you then tear away gently at the end, and the stitches are very simple: it’s just back stitch and French knots. [You can have a look at the general instructions here.] The rayon thread I picked wasn’t the easiest (actually, I only realised it was rayon and not regular cotton once I got home from the shop… but it does have a nice cosmic sheen to it that’s perfect for embroidering stars) but it was still perfectly manageable.

How long did it take me to complete this project, you ask? Two or three months. I love working on big projects in the evenings while I watch a film or a series on TV. Just don’t start working on it in the summertime like I did — this quilt is big and heavy and you’ll be very hot!

Now that we’re back living in Europe I’m glad I’ve got this memento of the Southern Hemisphere sky. It’s an absolutely magnificent sky, much more impressive than the one we see here in the Northern Hemisphere, and it always made me think of the great maritime adventures of centuries past. Haptic Lab also sell a template for the Northern Hemisphere constellations, as well as a world map and lots of city plans: check them all out here.

Goodbyes and Hellos

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Adeus casa linda e arejada, que tanto nos esforçámos por tornar ainda mais bonita. Adeus jardim onde plantámos árvores, semeámos inúmeras sementes, brincámos às escondidas e onde o Pedro nasceu. Adeus país dos fetos gigantes, das montanhas sem fim, do vento extremo e da ausência de presunção. Adeus Verão.

Olá país-irmão. Olá vinhas a perder de vista, terra seca, amendoeiras em flor. Olá castelos com mil anos, aldeias encavalitadas, cegonhas, abutres e falcões. Olá céu azul forte, olá neve. Olá Inverno.

É tão difícil recomeçar e é tão bom recomeçar. Altos e baixos, entusiasmo e desespero, alegrias e tristezas, ganhos e cedências. A vida é mesmo isto. O caminho é para a frente, sem medo, que só se vive uma vez e há que abrir os braços às oportunidades que a vida nos oferece. Ninguém disse que iria ser fácil mas acreditamos que é a decisão certa para a nossa família. Obrigada por nos acompanharem neste novo capítulo!

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Goodbye beautiful, airy house that we worked so hard on. Goodbye garden where we planted trees, sowed many seeds, played hide-and-seek and where Pedro was born. Goodbye land of giant ferns, endless mountains, extreme wind and lack of pretension. Goodbye summer.

Hello sister country. Hello undulating vineyards, dry soil, almond blossom. Hello thousand-year-old castles, sleepy pueblos, storks, vultures and hawks. Hello blue skies, hello snow. Hello winter.

Starting again is both hard and exhilarating. Ups and downs, enthusiasm and despair, joy and sadness, gains and losses. Such is life. Onwards and upwards, not living in fear, for you only live once and opportunities must be welcomed with open arms. No one said it would be easy but we believe this is the right decision for our family. Thank you for coming along in this new chapter of our lives!

Dress a Girl Around the World

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Provavelmente já terão ouvido falar no projecto Dress a Girl Around the World, cujo objectivo é fazer e levar vestidos a raparigas de países em desenvolvimento. À primeira vista um vestido poderá parecer pouco, mas é algo incrivelmente necessário e importante no dia-a-dia destas meninas. O movimento em Portugal é relativamente recente mas tem feito um trabalho incrível com a ajuda de centenas de voluntárias.

Estive em Portugal há uns meses e aproveitei para ir entregar alguns vestidos à The Craft Company, uma loja de tecidos e fios em Cascais. Conheci finalmente a Virgínia e a Vanessa e pude assistir ao seu entusiasmo e determinação.

Tem havido vários encontros de costura pelo país fora mas, caso não consigam participar em nenhum, podem sempre fazer vestidos em casa e enviá-los pelo correio (a morada da Craft Company é Praça Dr. Francisco Sá Carneiro, 4B, 2750-350 Cascais). O projecto sugere alguns moldes (vejam aqui) mas não é obrigatório segui-los à risca. O que importa é que os vestidos sejam feitos com tecidos resistentes de fibras naturais, que não sejam muito curtos e que tenham um ou dois bolsos generosos.

Eu fiz vestidos para 6, 8 e 10 anos e segui dois moldes diferentes: os roxos foram feitos com base no modelo K do livro Sew Chic Kids, mas achei a abertura para a cabeça demasiado pequena e acabei ter de descoser alguns pontos nessa área. Para os restantes vestidos usei o molde Tip Top Dress da Petit à Petit. Em ambos os casos acrescentei dois grandes bolsos laterais no género dos bolsos desta saia.

Quando hoje de manhã fui espreitar as minhas mensagens no Instagram vi que a Virgínia me tinha enviado umas fotografias dumas meninas em Cabo Verde com os vestidos que fiz. A expressão de dignidade e orgulho no olhar delas impressionou-me. Fazer um simples vestido pode parecer um gesto insignificante, mas a verdade é que esse mesmo vestido tem potencialmente um impacto positivo na vida de uma futura mulher. Tantas vezes me sinto culpada por ser tão privilegiada e por contribuir tão pouco para o bem-estar de quem me rodeia e o pior é que deixo que esses sentimentos me paralisem. A verdade é que pouco é melhor do que nada. Escrever sobre isto provoca-me algum desconforto, porque parece que estou a dizer “vejam só o que fiz!”, mas acreditem que não é esse o meu objectivo. A minha motivação é apenas passar a palavra e convidar-vos a participar neste projecto.

A Dress a Girl Around the World também aceita materiais de costura, cuecas e calções para rapazes.

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You’re probably already familiar with the Dress a Girl Around the World campaign. The movement is still  young in Portugal but a lot of work has been done recently with the help of hundreds of volunteers. 

When I was in Portugal a few months ago I took a few dresses I’d made with me and delivered them to The Craft Company, a lovely yarn and fabric shop in Cascais, near Lisbon. I used two different patterns to make my dresses: the purple ones are dress pattern K from Sew Chic Kids but I found the neckline to be way too small. For other dresses I used the Tip Top Dress pattern by Petit à Petit. I added two large pockets to each dress, similar to the ones on this skirt.

When I checked my Instagram messages this morning I saw that Virgínia had sent me some pictures of two girls in Cape Verde wearing my dresses. I so was struck by the look of dignity and pride in their eyes. Making a simple dress may look insignificant but the fact is that that dress can potentially have a positive impact in the life of a future woman. I often feel so guilty by my privileged life and for not doing enough for other people and the worst thing is that I let those feelings paralise me. The truth is, doing a little is better than doing nothing at all. Writing about this makes me uncomfortable because I don’t want you to think that this is about me. Trust me, it’s not. I just want to spread the word and invite you to take part in this project.

Dress a Girl Around the World also accepts other donations, like fabric, sewing notions, undies and shorts for boys.

 

Silhuetas Pintadas :: Painted Silhouettes

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Depois de finalmente termos arrancado o papel de parede cor-de-rosa da nossa sala e termos pintado tudo de cinzento, deparei-me com uma grande questão: o que pôr em cima da lareira? O ideal seria um “quadro bom” mas, hélas!, não temos nada disso…

[O Tiago e eu frequentemente comentamos como nos teria dado jeito termos recebido uma herança de umas tias solteiras (imaginárias, claro está)… tudo aquilo que faríamos com os objectos das “tias” é piada recorrente cá em casa.]

Na falta do dito quadro cheio de dignidade, comecei a pensar que teria graça ter uns retratos dos nossos filhos. Imaginei logo umas aguarelas estilo anos 30 (estão a ver o género?), mas novamente me deparei com a impossível grandiosidade dos meus sonhos.

Felizmente tenho uma subscrição mensal do Creativebug e descobri lá esta aula sobre como criar silhuetas de aguarelas. Durante uma daquelas semanas em que o Tiago esteve fora, preparámos-lhe um presente de Natal. Isto entretanto já foi feito há dois anos, o Rodrigo tinha quase 4 anos e o Pedro tinha 1 ano e 3 meses (só para verem o tempo que demoro a escrever um post).

Comecei por tirar fotografias de perfil aos rapazes (tarefa que acarretou os seus desafios). Depois ampliei-as (a olho), de maneira a que ficassem as duas mais ou menos do mesmo tamanho, e imprimi-as. Tracei os contornos em papel vegetal e pu-las de lado.

Chegou então a altura de criar as “pinturas”. Quando os rapazes estavam na escola, preparei tudo: comecei por aplicar uma aguada azul a dois papéis de aguarela (tamanho A3). A seguir, prendi os papéis à mesa de jantar com fita de pintor e dispus uma paleta de cores muito limitada (cores muito limitadas, insisto) de tintas acrílicas, assim como pincéis grandes e rolos de espuma.  Assim que eles chegaram a casa, fomos directos para a mesa pintar e, quando achei que já chegava, tirei os papéis do alcance deles. Com crianças tão pequenas, o potencial para o desastre é enorme… há que ser firme!

No dia seguinte, usei o papel vegetal para traçar os contornos dos perfis em cima das ditas “pinturas”. Tracei o perfil do Rodrigo em cima do papel pintado pelo Rodrigo, e a do Pedro em cima da pintura do Pedro, bem entendido. Com um x-acto, cortei tudo com cuidado, colei as silhuetas em cima de papel branco de aguarela, comprei duas molduras e mandei cortar passe-partouts à medida. Embrulhei os dois quadros e pu-los debaixo da árvore de Natal com uma etiqueta a dizer Pai.

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After we finally removed the pink wallpaper in the sitting room and painted all the walls light grey, I was confronted with the big question of what to put on the mantel. Ideally we’d hang a “good picture” but hélas!, we don’t own any of those…

[Tiago and I frequently reminisce about how lovely it would be if only we had received an inheritance from a couple of spinster old aunts (imaginary aunts, of course)… what we would do with the objects they would have bequeathed upon us… it’s a common joke here in this household.]

In the absence of said painting, I started thinking that it would be nice to have some portraits of the boys. I immediately imagined something along the lines of a 1930s watercolour (you see what I mean?) but again I stumbled against the impossible grandiosity of my dreams.

Thankfully, another idea came to mind. I have a monthly subscription to Creativebug and I decided to take inspiration from this class on creating watercolour silhouettes. So in one of those weeks when Tiago was overseas, we made him a Christmas present. Mind you, this was two years ago: Rodrigo was nearly 4 and Pedro was 15 months old (you can see how long it takes me to actually write a blog post).

I started by taking photos (easier said than done). Then I enlarged them so that they ended up roughly the same size and I printed them. I then used tracing paper to trace the outlines of their profiles.

Then came the time to make “art”. While the children were at school I took care of the prep work: I took two A3 sheets of watercolour paper, applied a blue wash to them and taped them to our dining table. I chose a very limited palette of colours (very limited colours, I can’t stress this enough) of acrylic paints, as well as some big paintbrushes and foam rollers. When the boys got home we started painting straight away and as soon as I though they’d done enough, I took the paper away from them. A bit ruthless, perhaps, but with very young children the potential for disaster is huge. You must be firm!

The next day I used the tracing paper to transfer the profiles onto the “paintings”. I traced Rodrigo’s profile on Rodrigo’s painting and Pedro’s profile onto Pedro’s painting, naturally. I carefully cut out the silhouettes with an x-acto knife, glued them onto white sheets of watercolour paper, bought two frames and had two mats cuts to size. Finally, I wrapped the frames and put them under the Christmas tree with a tag with Dad written on it.

Around Here :: Spring

gallery wall constanca cabral

Por aqui estamos a viver uma das Primaveras mais frias e chuvosas de que há memória. É curioso como, apesar de já viver fora de Portugal há 8 anos, continuo com as mesmas expectativas em relação ao (bom) tempo e não consigo deixar de me sentir defraudada quando aquilo a que acho que tenho direito não se verifica. A verdade é que a vida é mais fácil com sol!

Novembro é sempre o apogeu das flores do nosso jardim. Estamos rodeados de rosas antigas, aquilegias de todas as cores, dedaleiras em vários tons de roxo e branco e sardinheiras aromáticas. Temos assistido a um frenesim de abelhas de todos os tamanhos e feitios e os pássaros acordam-me todos os dias às cinco e meia da manhã.

Dentro de casa também tem havido muita actividade. Remodelámos totalmente a despensa, devagar estamos a fazer obras à cozinha, tenho andado ocupada com cortinas e almofadas. Sou claramente adepta do slow decorating (um movimento que ainda não existe oficialmente, mas que se integra bem no célebre conceito de slow living). Esta nossa casa tem percorrido um longo caminho nestes cinco anos.

O ano está a chegar ao fim. Pensar que o Rodrigo tem a primeira classe praticamente feita e que o Pedro abandonou definitivamente o estado de toddler é impressionante. Não sou daquelas pessoas que querem parar o tempo — pelo contrário, estava desejosa de que esta fase de “rapazes” chegasse. Eles estão a crescer saudáveis e curiosos — temos tanta sorte!

Deixo-vos com algumas sugestões para este fim-de-semana, seja ele de Primavera ou de Outono:

Participei na nova rubrica “Sete dias, sete pratos” do Slower (a nossa semana está aqui).

Este ano li bastante e destaco o Guard Your Daughters (1953), um livro que me me cativou por conseguir misturar harmoniosamente momentos de rir às gargalhadas com assuntos bastante sérios (felizmente hoje em dia compreendemos muito melhor a saúde mental das pessoas). Este livro esteve esgotado durante décadas mas a Persephone reeditou-o recentemente (aqui).

Hei-de fazer um post actualizado com os podcasts que tenho seguido nos últimos tempos, mas vou falar-vos já no Tea & Tattle, apresentado por duas amigas inglesas, que versa sobre livros, bem-estar, relações humanas, enfim. É uma mistura de conversas a duas e entrevistas, e gosto sobretudo do facto de elas não se limitarem a quem está actualmente na moda no Instagram — neste podcast há diversidade de idades, nacionalidades e interesses e isso é incrivelmente refrescante.

Espero conseguir voltar ao blog com maior assiduidade (já não escrevia aqui há demasiado tempo). Bom fim-de-semana para todos!

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Around here we’re going through one of the wettest, coldest springs I’ve ever experienced. Even though I haven’t lived in Portugal for 8 years now, it’s funny how some (good) weather-related preconceptions will never leave me. I still feel positively defrauded when they don’t come to fruition! I mean, life is some much easier in the sunshine, isn’t it?

November is always the best month for flowers in our garden. We’re surrounded by old roses, aquilegias in every colour of the rainbow, foxgloves in various shades of purple and white, as well as many different species of fragrant pelargoniums. The bees are super active and the birds wake me up at 5.30 every morning.

Indoors we’ve also been quite busy. We’ve remodelled the pantry and are slowly doing up the kitchen. I’ve also been making curtains and cushion covers. I’m clearly in the camp of the slow decorating movement (not that that’s an official thing, but it goes very well with the whole slow living philosophy). This house has been through a long and winding decorating road over the past five years.

The year is coming to an end. To think that Rodrigo has almost completed his first year at school and that Pedro has definitely left toddlerhood behind amazes me. I’m not one of those people who’d like to stop time — on the contrary, I was anxious for this “boy” phase to come. They’re growing up healthy and curious — we feel incredibly lucky!

I’ll leave you with a couple of suggestions for your Spring/Autumn weekend:

This year I’ve read a lot and the book that’s stayed with me the most is “Guard Your Daughters” by Diana Tutton (1953). It’s captivated me because it manages to beautifully balance laugh-out-loud moments with rather serious matters (thank goodness mental health is much better understood nowadays). The book was out of print for several decades but Persephone has recently republished it (here).

I’ve been meaning to write an updated post with my favourite podcasts but, before that happens, I’ll quickly mention Tea & Tattle. It’s hosted by two British young women and it covers a range of topics like books, well-being, relationships, etc. It’s a mix of conversations between two friends and interviews and I really appreciate the diversity of voices, ages and backgrounds of the people they feature — it’s not just about who’s trending on Instagram.

I’m hoping to start blogging again more consistently (it’s been too long). Happy weekend, everyone!

Linen + Liberty

31/100

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Adoro coser para raparigas. Como não tenho filhas, ou faço roupa de bonecas ou coso para as filhas das minhas amigas.

Tenho gostos bastante específicos em relação a roupa infantil, principalmente feminina. Mesmo assim (ou por isso mesmo), quando chega a hora de fazer peças de roupa para os filhos de outras pessoas hesito sempre imenso. Será que vão gostar das mesmas coisas de que eu gosto? Enfim, este é o drama de qualquer pessoa que faz coisas à mão para oferecer a terceiros, não é?

Este molde de 1981 (Simplicity 9884) enche-me completamente as medidas. Um vestido évasé, fresco, de linhas simples mas com pormenores interessantes como o colarinho e as mangas. Resolvi fazê-lo num linho azul-seco (sei que isto não é propriamente uma cor, mas o tom faz-me pensar em  algo equivalente ao verde-seco, só que em azul) e um retalho de popelina Liberty.

Só quando fotografei o vestido é que me apercebi de que há uma parte que está descorada pelo sol… fiquei bastante desconsolada com isso, mas espero que não se note quando o vestido estiver a ser usado pela pequena MM.

Agora quero encontrar um molde semelhante no meu tamanho!

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I love sewing for girls. Since I haven’t got any daughters, I either sew for dolls or for my friends’ daughters.

I have quite specific tastes regarding children’s clothes, especially girls’. Even so (or because of it?), whenever I sew for other people’s children I always hesitate. Will they like the same things I do? Well, everyone who makes things to give away faces the same dilemma, right?

This 1981 pattern (Simplicity 9884) is totally up my alley. An A-line dress, understated yet featuring interesting details like the collar and the sleeve bands. I made it in a blue linen and a scrap of Liberty cotton lawn.

Only when I photographed the dress did I notice that some of the fabric is sun bleached… I was so sad when I realised it but I’m hoping it won’t be too noticeable when the dress is being worn by little Miss MM.

Now I want to find a similar pattern in my size!

Early to bed and early to rise…

30/100

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Hoje de madrugada partilhei no Instagram e no Facebook esta fotografia do nascer do sol visto da porta da minha cozinha. Foi uma partilha espontânea: não editei a imagem e escrevi simplesmente que, de há uns tempos para cá, comecei a deitar-me cada vez mais cedo e, consequentemente, passei a acordar por volta das 6h-6.30h sem esforço e sem despertador.

A reacção de quem me segue naqueles canais foi imediata e tão pessoal que fiquei a pensar que se calhar deveria escrever um post mais detalhado sobre este assunto.

Durante os meus 20s eu era uma pessoa de me deitar tarde. Lembro-me de que, quando tive a primeira experiência de viver sozinha (durante o Erasmus em Paris), me deitava frequentemente às 2h-3h da manhã. Mais tarde, de volta a casa do meu pai, o normal era ir para a cama à meia-noite. Quando me casei alterei um pouco este hábito, porque o Tiago começava (e ainda começa) a trabalhar às 8h da manhã e gostava de se deitar por volta das 10h da noite. Mas eu continuava com imensa preguiça de ir para a cama.

Já estão a adivinhar o que se seguiu… pois, tive dois bebés e eles alteraram completamente os nossos horários. Passámos a seguir o regime britânico (e neozelandês) de deitar as crianças às 7h-7h30 da tarde (cá já lhe chamam noite… é curioso como a percepção das horas muda em função do países). Eles normalmente acordam por volta das 7h da manhã, idealmente depois de terem dormido 12h. Jantamos todos cedo (lá para as 6h30), eles vão para a cama e nós podemos gozar o serão com calma (há que dizer que todo este cenário idílico nem sempre se verifica).

Claro que estes horários são mais fáceis em países cujas sociedades estão organizadas no sentido de as pessoas começarem a trabalhar cedo e voltarem para casa cedo (o Tiago normalmente chega a casa entre as 5h30 e as 6h da tarde). Mas digo-vos que jantar antes das 8h tem sido uma revelação para mim. Os meus problemas de digestão melhoraram, por exemplo!

Tanta conversa para voltar ao assunto de deitar cedo e cedo erguer. Eu preciso de dormir 8-9h por noite. Se durmo menos, o dia não me rende nada. Por outro lado, sou uma pessoa bastante introvertida e preciso de momentos tranquilos antes de a confusão do dia começar. Descobri que acordar cedo e tomar o pequeno-almoço sozinha, ouvir os passarinhos e ler um bocado me traz imensa serenidade e torna o meu dia melhor. Mas, para isso, tenho mesmo de me impôr a disciplina de deitar-me cedo, idealmente por volta das 9h da noite. E acreditem que todas as noites tenho de vencer a resistência de ir para a cama…

Sei que este não é um assunto incrivelmente excitante, mas acho que é importante conversarmos sobre isto. Vivemos numa sociedade de pessoas extraordinariamente estimuladas e cansadas. O simples facto de dormirmos o suficiente pode aumentar radicalmente a nossa qualidade de vida. E é uma terapia que não custa dinheiro nenhum!

Como em tudo, não é preciso ser fundamentalista. Há noites especiais, e é saudável que elas continuem a existir. Mas, a meu ver, devem constituir a excepção e não a regra. A verdade é que, no dia-a-dia, muitas vezes esticamos a noite sem que ganhemos nada com isso. Mais um episódio – mais um capítulo – mais uma notícia…

Se esta ideia de encarar o sono como prioridade vos intriga mas acham que não é para vocês, assistam a esta curta palestra. Se continuarem cépticos, leiam o livro The Sleep Revolution.

E se não quiserem saber de palestras nem de livros nem de estudos científicos, ouçam simplesmente a sábia voz do povo:

Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer.

***

Earlier today I shared on  Instagram and  Facebook this photo of the sunrise viewed from my kitchen door. It was a spontaneous share: I didn’t edit the image and I simply wrote that recently I’ve started to go to bed earlier and, consequently, have started to wake up around 6-6.30am with no alarm and no effort on my part.

People’s reactions were so immediate and personal and this got me thinking that maybe I should address this topic on a more detailed blog post.

All through my 20s I was a bit of an owl. I remember that when I first lived all by myself (during Erasmus in Paris) I used to go to bed at 2-3am. Later, when I came back to my dad’s home, I shifted to midnight. When I got married I altered my habits again because Tiago used to (and still does) start work at 8am (in Portugal that’s considered an early start), so he went to bed at around 10pm. But I still felt a strong reluctance to go to bed at that time.

I’m sure you’re guessing what comes next… yes, I had two babies and they completely shifted our schedule. We started following the British (and Kiwi) regime of putting children to bed at 7-7.30pm (this still is an absolute shocker to my Portuguese friends and family). They’ll usually wake up around 7am, ideally after having slept 12 hours. We’ll all have dinner early (around 6.30), then the kids will go to bed and Tiago and I will get to spend a quiet evening together (of course there are those days when things don’t go as planned).

It goes without saying that this schedule is much easier in societies where people start and leave work early (Tiago will typically arrive home at 5.30-6pm). I must say that having dinner before 8pm has been a revelation for me. If nothing else, my indigestion issues are much better!

All this rambling to get to the point of early to bed and early to rise. I need to sleep 8-9h a night. When I sleep less, my day will be challenging. On the other hand, I’m quite the introvert and I need some tranquility before the day starts. I’ve discovered that if I wake up early, have breakfast alone, listen to the birds and read for a while, I’m more serene and my day is much better. But, in order to do that, I must have the self-discipline of going to bed at around 9pm. Believe me, each night I’ve got to force myself to do it…

I know this isn’t the most exciting of topics but I think it’s a really important one. We live in a society of people who are incredibly stimulated and exhausted. The simple fact of getting enough sleep can radically increase our quality of life. And this therapy is free!

As always, there’s no need to become fundamentalist about it. There are special occasions and it’s healthy that they keep on existing. But I think they should be the exception, not the norm. So often we postpone our bedtime for no good reason. Just another episode — another chapter — another piece of news…

If this idea of making sleep a priority intrigues you but you believe it’s not for you, check out this short talk. If you still feel sceptical, I suggest you read the book The Sleep Revolution.

And if you don’t care about talks or books or scientific studies, just listen to the wise proverb:

Early to bed and early to rise makes a man healthy, wealthy and wise.